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Entrevista ao Sr. Luís faria “ o Funileiro de Carapeços”
02Mai2016 11:52:24
Publicado por: José Pernicas Silva

 Entrevista ao Sr. Luís faria “ o Funileiro de Carapeços”

tioluis2015.jpgFunileiro é um fabricante de Funis mas também se pode associar a uma pessoa  que trabalha com   folha-de-flandres bate folha , latoeiro ! E como tal,  todos nós  (Carapecenses) todos conhecemos o tio Luís Funileiro.

A razão que nos trás a esta entrevista é que  Carapeços é terra de excelência  e temos riquezas como esta, que é ter,  o artesão “Tio Luís” e por muito que nos custe, estes utensílios que o Tio Luís vai fazendo à mão!!! Tem tendência acabar porque o Tio Luís conta já com 82 anos. Vamos então passar às  nossas perguntas !

CO- Tio Luís, com quantos anos começou a trabalhar na funilaria , e com quem aprendeu  e onde?

 L.F.  Quando sai da escola, no fim de fazer o exame da 4ª classe, suponho que teria 11 ou 12 anos naquela altura, porque eu passei sempre, foi um ano em cada classe.  Logo  que saí da escola, o meu pai meteu-me na oficina a fazer qualquer coisa para o ajudar , e depois dali ,comecei a fazer algumas coisas às escondidas por minha conta(risos) .Eu inventava coisas, como os assobios dos árbitros, naquela maré nem se falava nos árbitros,  mas eu fazia os assobios de folha, e outras coisas, como seja quadros etc.

 CO - Quais os artigos mais procurados na época?

Naquela altura eram os lampiões, porque não havia luz e os lavradores (principalmente) precisavam de lampiões para ir às cortes do gado. Também se vendia muitas candeias e os cochichos. Canecos para tirar a água dos cântaros, regadores, cântaros para o vinho, funis para encubar  vinho  prás vasilhas. Depois mais tarde já eram bilhas do leite , tiravam-no em casa e levavam-no em bilhas aos postos . Mais tarde ainda  veio esta coisa de levar as vacas às salas, e começou-se a vender muitos coadores do leite. Foi  depois de estar à minha conta,  porque em casa do meu pai não se fazia nada isso.

CO-Já vendia à  porta  nesse tempo ou tinha outro mercado interno ou externo?

Vendia-nos  à porta se aparecesse alguém, naquela altura não havia encomendas, fazia-se consoante a procura e se ia vendendo.

CO-Descreva-nos exemplos quando custava em escudos na época um determinado artigo e quanto custa agora !

Não me recorda ao certo, mas os regadores  ainda eram de folha  fina e não de chapa zincada, salvo o erro vendia-se por  7$50.

CO-Quando se instalou em Carapeços e quando começou a fazer a feira de Barcelos?

 Foi no ano de 1955 que comecei a fazer a feira de Barcelos,  o mesmo ano  em que me casei. Fui morar no lugar do Pedregal na casa da Ferreira .  Quando sai da casa dos meus pais comprei a ferramenta, iguais às que ele tinha  na altura e instalei-me.

CO-Tratou-se sempre de um negocio familiar , onde  os seus filhos iam  crescendo e consigo iam trabalhando,  ou foi empregando pessoas alheias à própria família ? Quantos ?

Comecei por ensinar de inicio os meus filhos  a fazer aquelas coisas que eu fazia na casa do meu Pai , que reram coisas miúdas.  Mais tarde além dos meus filhos ainda cheguei a ter dois empregados.  

CO-Também gostaríamos de saber em que  ano é que passou a vender as peças com pintura! Já que no inicio vendia apenas as peças em Zinco natural verdade?

Isto das peças pintadas começou em 1960. Foi assim , eu queria fazer uns cartões e era preciso tirar uma fotografia para  pôr um Lampião na faturas,  mas se o lampião não estivesse pintado eles não podiam tirar a fotografia, diziam que espelhava e  não dava, então  eu tive que estragar um lampião naquela maré, e pintei-o todo de preto, mas contudo levei-o prá feira e pu-lo   à venda , depois todos os queriam,( risos)  e depois dali começamos a pintar as nossas peças.

CO- Qual foi a melhor época de vendas para o seu negócio?

Foi entre 1970 e 2000 que foi a melhor época para o meu negócio,  quanto levava para feira quanto vendia , não chegava para as encomendas,  agora passamos horas e horas e não aparece  nenhum cliente, e  vem outros que é só para ver.

CO- Ao começar aparecer os seus artigo fabricados em plástico o seu negócio mais grossista começou a fracassar? Foi a partir dai que se virou mas para peças de artesanato?

Também foi isso, mas antes disso começou haver peças semelhantes em alumínio, a principal concorrência , e  só depois o plástico, e mais tarde veio o inox. No inox nunca trabalhei, só trabalho em chapa zincada. Folha fina  ainda tenho praí  um pouco,  mas agora já não há quem a venda.

CO-Lembra-se de alguma coisa neste ramo de negocio que ficou por fazer ,  ou que gostaria de ter feito ?

Eu fiz tudo o que queria fazer, mas cheguei a pensar em deixar esta profissão, pois cheguei a pedir ao Vaz Correia. Estava  ainda na casa da Ferreira , ele passava-me lá todos os dias, era o Francisco Vaz Correia o pai do Amadeu, ele  tinha um loja de vender fatos em Barcelos.  Como ele passava todos os dias  e  me dava sempre bom dia, abusei e pedi-lhe se ele não me arranjaria um emprego fixo. Mas entretanto  começaram-me aparecer alguns fregueses , para comprar para revenda ,e fazer outras encomendas que em Barcelos não tinham procura ,e comecei a trabalhar para esses clientes.  Era um de Vila Real, outro de Vila de Conde,  outro aqui na freguesia da Lama, e  ainda tinha  dois clientes  de Vila Verde.  Depois  dai nunca me faltou trabalho e nunca mais pensei em abandonar isto. Mas fiz mal  porque os rapazes da minha idade  a perceber menos que eu , empregaram-se no caminho de ferro e hoje estão  com umas valentes reformas, e gozavam os Sábados e Domingos, e tinham férias, e eu nunca tive férias, nem sei o que são férias .

CO-Quando o Tio Luís deixar de trabalhar nenhum dos filhos tem por ideia manter esta sua  profissão ? Se não Porquê ?

Não , ninguém vai seguir , isto vai acabar . O mais velho ( que já faleceu) na altura ,  ainda tinha ideias em ficar com isto , mas a mulher nunca gostou que ele trabalhasse nesta profissão, e depois arranjou-lhe emprego  de porteiro num centro comercial de Barcelos , era o Mingos,   ele até gostava disto , ele era como eu , e já inventava coisas pela cabeça dele , de coisas que lhe encomendavam e ele nas horas vagas fazia isso, .  As minhas  raparigas, Céu,  Fernanda e a Deolinda todas pintavam   , mas uma pensou sempre em altos  voos ,outras tiveram que se dedicar e ambientar à sua família. Ficou agora a minha filha Céu a pintar nas horas vagas, até que eu deixe isto de vez.

Nota: Das mais  variadas espécies de ferramentas que o Tio Luís usa pra fazer as suas peças , contamos seguramente  mais de 20 tesouras de corte de chapa , e mais de uma dezena de mascotos feitos de Pau de Sobreiro . todas elas com a sua finalidade, para desenvolver a peça. 

O Carapeços online agradece naturalmente ao SR. Luís Faria pela amável e disponibilidade que nos concedeu para elaborar esta   entrevista. Obrigado.

O Tio Luís nasceu na Freguesia da Silva em 1932, casou-se em 1955 ,o  mesmo ano em que se instalou no lugar do Pedregal ( agora Rua do Olival) na casa da Ferreira , nesta atividade tendo mais tarde  construído a sua própria habitação no Lugar da Seara (agora Rua João de Carapeços) monde habita atualmente.

 

   

 

 



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